24.9.09

a

canção

mudou.

14.9.09

todo este desfoque das palavras é só querer os teus braços.

9.9.09


havia, neste lugar, suficiente de ti.
mas não agora.

28.8.09

das palavras que te quis escrever no caderno antes de partires. a noite volta sempre. se ainda souberes de cor a canção, podemos repetir.

16.8.09

são os fins-de-conversa que me obrigam a escrever. não porque precise de te dizer, quando partes, mais do que já te digo. preciso é de me dizer mais do que me digo a mim quando não estamos juntos. ficámos muito tempo a viver sob as palavras: se entretanto nos esquecermos das palavras sob as quais vivemos sei que nos vamos lembrar sempre da dor que encerrámos nelas.

12.8.09


são só as danças sob a chuva ao cair da noite que não voltam e é só isso que me faz falta.

11.8.09



não,
a ausência
não deixa saudade
deixa silêncio.

as mãos vazias de coração quente

10.8.09

acerca das noites em branco e das conversas em cafés. antes de serem dos poetas já eram dos amantes.

3.8.09


se me prometeres que um dia terei pernas bonitas vou poder fazer a bainha do vestido acima do joelho sem ressentimentos.
percebi-me a mim aqui tão perto quando ecoou o último acorde. o corpo dormente sufocava o piano, o cabelo estava solto e escondia a pele desgastada pelo sal. se até os olhos fechados já notavam outra presença no quarto escuro, só faltava voltar à vida e resistir ao silêncio.

2.8.09


pedaços de vento que atravessam silêncios

tenho o mau hábito de me apaixonar por desconhecidos com quem me cruzo e que não voltarei a ver. nessa tarde ele estava sentado ao fundo do autocarro com os óculos pousados no colo e um caderno de desenhos na mão. sorriu ao saber-se observado e antes de sair sussurrou um «olá». a ti que me fotografavas com o olhar, acho que sem a ajuda das lentes acabaste a confundir-me com uma menina bonita.

25.7.09

da verdade dentro de nós. sobre as viagens de comboio sei apenas que passam mais depressa ao teu lado. desta vez viajo de costas voltadas para ti e de nada adianta olhar lá para fora à procura de pontos de fuga. falha-me a respiração dos dias. uma carruagem vazia não atenuaria o sufoco e um lugar ocupado por ti seria todo o ar que preciso. vão-me fazer falta as lições de voo.

até depois.